- Gente, só pode ser o Likan. Ele está brincando com a gente. Vou lá.
- Rubiana não!
Perov alarmou-a, mas foi em vão. Rubiana foi ao encontro do estranho. Tarde demais. Foi abordada por mais dois estranhos, que a acertaram em cheio na têmpora. Provável golpe letal.
Após isto não pensaram duas vezes, correram velozmente em direções diferentes. Perov e Flora deram a volta no Metrópolis e esconderam-se em meio às plantas que haviam crescido muito nos últimos meses. Os suspeitos pareciam ter se multiplicado. Agora estavam em mais de 3, eram 6. A pontada no estômago de Perov foi a mesma no de Flora. De trás dos arbustos viam que cada um de seus colegas, ambos estavam desacordados, eram carregados pelos suspeitos. Luiza, Izáias, Vanessa, Rafael, Rubiana. Todos estavam com um aspecto fúnebre. Flora começou a choramingar. Estava amedrontada. Perov fez sinal para se manter em silêncio. Para uma possível fuga. O perfume Macadame mais uma vez passou pelas narinas de Perov. Agora Flora também sentia. Ela também conhecia aquele perfume, só tinha que lembrar de quem. Passados pouco mais de cinco minutos, Flora e Perov saíram abaixados de trás dos arbustos e depressa corriam, sem serem seguidos, em direção ao CT III.
Chegaram exaustos em frente ao prédio. E ouviram um ‘Psiu’ vindo de um breu, embaixo de uns pés de manga que ficam em frente ao prédio CT III. Aproximaram-se. Likan estava mais sombrio do que nunca.
- Pensei que não chegariam nunca.
- É que quase fomos pegos. Rafael, Luiza, Rubiana, Izáias e Vanessa foram raptados. Estão correndo perigo. – disse Flora tristonha.
- Tarde demais. Acho que a essa hora já estão todos mortos.
- O que?
- É sim. Vim pra cá relaxar um pouco no meu mundo verde. Daí três deles passaram por mim aqui no escuro sem notar. E conversavam abertamente que os planos deles estavam em risco e que deviam matar a todos. E que um deles já havia tido seu fim.
- O Victor...
- Victor? Ele também estava com vocês?
- Sim.
- Mas eu liguei pra casa dele e a mãe dele disse que ele tinha viajado.
- Como assim?
- Sério. Ele me ligou contando umas coisas estranhas quando eu ainda estava preso. E então resolvi ligar pra ele, saber direito da situação. E a mãe dele me disse isso.
- O estranho é que ele esteve com a gente o dia todo. E não comentou nada sobre ter falado com você. Mas agora está morto.
- Mó palha. Eu ainda estou abismado. Vocês já encontraram algum suspeito?
- Na verdade o mais perto de um suspeito que temos é Lorrayna.
- Por que?
Perov contou à Likan sobre as fotografias, a fuga de Lorrayna, a chave da família Zämucherstch e o código terciário. Likan escutava impressionado como que cada fato se encaixava nos recentes acontecimentos.
- A coisa mais estranha é que sabemos pouco sobre o caso. Pelo menos eu. E não acho que ninguém vai querer nos contar algo assim. – disse Flora
- Vou lhes contar. Mas para isso, temos que esperar a Amanda chegar. Não é Perov?
- É sim. Daqui a pouco ela estará aqui.
- Do que vocês estão falando? – Perguntou Flora
- Amanda nos contatou. Hoje de manhã. E eu já sabia que estaríamos na Ufes hoje. Amanda estava presa no Cemuni V desde o fim do incidente, quando o prédio foi fechado. Daí ela viu Luiza. Mas também tinham duas pessoas, ela não me disse quem ainda, que as vigiavam, ela, Luiza e Rubiana. Depois que um dos suspeitos saiu ela pôde tentar uma fuga. E conseguiu este feito pela janela do banheiro que não tinha sido lacrada. Antes ela me mandou uma mensagem falando sobre isso, e que estava na Ufes. Eu respondi dizendo que também estaria na Ufes hoje. Nós dois sabemos de muitas coisas que muitos desconhecem.
- Vi sua mensagem no celular, que agora sei que é dela. Mas só agora que você foi me contar Perov? E se você tivesse sido pego?
- Jamais. Vanessa me disse que nos encontraríamos aqui. O estranho é que segundo a premonição dela, Likan não estaria aqui e ela viria conosco, mas ela não teve chance... o que será que saiu errado? Temos que ver onde erramos.
- Verdade. Será que a Amanda vai demorar a chegar?
- Acho que não. Ela está vindo logo ali.
Em uma clareira próxima deles deles, um cabelo rosa trovão esvoaçava ao vento. E em seu robe negro vinha Amanda Mariano, ou Amanda Rosa, como era conhecida. Em sua face, seu habitual sorriso sarcástico, que se destacava na luz da lua.
Um caranguejo azulado cruzou o caminho deles em direção ao mangue de Laranjeiras.
*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é mera coincidência.
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