Izáias não sabia ao certo se Juliana havia feito tudo o que havia pedido. Desconfiava da perspicácia e poderio desta. Sua busca por Lorrayna havia se tornado um estorvo na continuidade de seus planos. Estava tudo perdido. E ele desconfiava de que só teria mais esta manhã para resolver seus negócios. Estava agora próximo ao Cemuni I, indo na direção do Cemuni V quando seu celular tocou:
- Sim?
- Izáias sou eu, Isabela.
- Isabela, até que enfim. Onde você está?
- Estou na entrada principal da Ufes. Paulinha está comigo. Parece-me que você está correndo perigo. A Juls foi atacada agora pouco por Perov.
- Como?!
- Sim. Eles esconderam o corpo dela nos destroços do Cemuni V. Depois chegou uma ambulância e levou o corpo de Luiza e do Zé.
- Eu sabia que daria errado confiar na Juliana. Mas e vocês? Trouxeram o que pedi?
- Claro. Estamos te esperando aqui nas escadas do teatro. Flora, Perov, Amanda e Bernard estão indo para o CCJE. Falaram alguma coisa sobre a busca por Lorrayna.
- Bernard. Traidor. E Lorrayna eles não vão encontrar. Eu já procurei por lá. Estou aqui no Cemuni III. Estou chegando. Precisamos dar o tiro final. Parece-me que meu plano está caindo por água abaixo.
- Ok Izáias. Eu e Paulinha estamos a postos.
Izáias desligou seu celular, um motorola preto ano 95, e o colocou na mochila, pois não cabia em seu bolso. Andava rapidamente em direção ao Cemuni V. Ao ver sua total destruição quis saber o por que de nada ter acontecido como o esperado. Tinha tudo para dar certo. Bernard. Esquecia-se deste detalhe. Bernard era o culpado. Tinha que matá-lo. Era caso de vida ou morte. Morte, para ser mais preciso. Avistou Isabela, a tosca, junto a Paulinha no final das escadas do teatro. Foi até elas:
- E aí? Onde está?
- Está aqui.
Isabela entregou uma maleta rosa choque a Izáias. Izáias abiu-a. Dentro havia três pistolas de precisão, nas cores roxo e amarelo.
- Como é o funcionamento delas?
- Após ter atingido seu alvo, o mesmo terá apenas 4 minutos para receber o antídoto. É uma versão do veneno da Darshany, só que melhorado. Bem melhor.
- Ótimo. Qual destas armas é a do antídoto?
- Somente esta. Ela tem um adesivinho de borboletinha fofinha aqui no finalzinho.
- Está bem. Chega dessas frescuras. Agora vão embora. Ou serão descobertas.
- Sim Izáias. Você falou com a gente sobre essa arma.
Isabela seguiu com Paulinha até o Opala preto que as esperava no ponto de ônibus. Antes de irem embora Paulinha discou um número em seu celular. Izáias viu que ela sorria e assim retribui com o mesmo. ‘Ela deve estar ligando para a cabeleireira dela. Aquele cabelo dela está um muquifo’, pensou ele.
Izáias agora tinha destino certo. CCJE. Iria matar a todos.
O caminho para o CCJE parecia mais deserto que nunca. As férias deram um ar fantasmagórico àquele lugar. Amanhecia. Tudo florescia. Pássaros exóticos cantarolavam pelos verdejantes campos da Ufes. Está bem, Quero-queros esperneavam desesperados pela grama e nos matos da Ufes. Corvos rodeavam a biblioteca, enquanto Izáias por ali passava. O primeiro a morrer seria Bernard. Logo depois Perov. Flora e Amanda. Alias, pensou que Amanda já estivesse morta. Enfim. A mataria. Depois procuraria por Lorrayna e sairiam dali para viverem felizes para sempre. O CCJE parecia bem deserto, a não ser por três jovens andando em frente ao prédio III. Onde estava Amanda? Só avistou Perov, Flora e Bernard.
Mataria os três primeiro e então mataria Amanda logo depois.
Ele foi escondido por trás do banheiro, até onde eles estavam, em frente à grade, na entrada do prédio III. Apontou para Bernard. Engatilhou e preparou para atirar.
- Izáias, se eu fosse você não faria isso.
Amanda havia colocado a atiradeira de flechas na nuca de Izáias. Com o susto ele deixou a maleta cair no chão.
- A...A...Amanda?!
- Eu mesma. Em carne, osso e cabelo semi-rosa.
- Mas como?
- Eu sei onde está Lorrayna. Você fará o que nós mandarmos. Pessoal! O encontrei!
Mas ao fazer isto Amanda mal notou que Izáias apanhava a maleta novamente no chão. A primeira arma que ele segurou apontou para o pescoço dela e atirou. Uma agulha roxa saiu da arma e atingiu Amanda. Que caiu de dor no chão. Perov, Flora e Bernard correram até eles.
- Vamos nos acalmar! Eu tenho o antídoto. E ela tem 4 minutos. Digam-me onde está Lorrayna ou ela morre. Vocês têm apenas 4 minutos para salvar o mundo. Quer dizer a Amanda.
- Mas Izáias é ela quem sabe onde está Lorra. – disse Flora
- Mentira!
- Verdade. Ela golpeou Lorrayna ontem à noite e trancou-a em algum lugar. Ela nos trouxe até aqui, e ia nos dizer onde estava.
- Droga! Diga onde ela está. – agora sacudia Amanda, que ria sarcasticamente. – Diga logo! Eu preciso dela!
- Djâmas! Eu...arh...Nunca direi. Ela morrerá por sua culpa.
- Nãããão! E eu não posso te dar o antídoto. Mas se não o fizer Lorrayna morrerá.
- Depressa Izáias, o tempo está se esgotando. – Disse Perov
- Então tome também! – Izáias disse isso e atirou em Perov, que caiu no chão com a dor. – Pelo menos matarei todos vocês e fugirei daqui.
Amanda agora fechava seus olhos. Izáias tomou isto como a morte do reencontro com Lorrayna. Perov ainda estava no chão. Bernard e Flora olhavam-no enquanto seu corpo estava se esvaindo em dor. Izáias ria incansavelmente. E quando se distraiu, Flora apanhou a arma e num golpe rápido atirou em Izáias, que sentiu seu corpo contrair-se em dor.
- Argh! Maldita! Onde está? Onde está?
Apanhou a arma onde tinha guardado a do antídoto, engatilhou e atirou em seu braço. Ria furiosamente agora. A dor havia cessado. Levantou-se, ia à direção de Flora. Não sentiu seu braço, a maleta e as armas caíram. Agora suas pernas cediam ao chão, olhou para o lado, Amanda levantava sorrindo, Perov fazia o mesmo.
- Mas como?
- Quando a Paulinha me ligou avisando sobre as armas tive que me esconder e tentar algo bem arriscado. Como misturar as armas– Respondeu Amanda
- Mas eu atirei em vocês...
- Com as armas do antídoto, que não fez efeito algum por não haver veneno em nosso corpo.
- Então a dor que senti...
- É normal. Paulinha me ligou agorinha e me disse que o antídoto causa esta sensação por passar pela corrente sanguínea em busca do veneno. O antídoto tem duração de 10 segundos. Após isto se transforma em água no sangue e não possui mais nenhum efeito.
- E eu pensando que ela estava ligando pra cabeleireira. Quer dizer que eu me auto matarei a mim mesmo então?
- Você já está morto desde o dia que decidiu essa vingança Izáias. Só não havia se dado conta.
- E onde está Lorrayna?
- Estava o tempo todo debaixo do seu nariz. Ela estava no Cemuni V, dentro do CA. Na geladeira. Não queria que ela tivesse morrido, mas você preferiu assim. Quer que tudo aconteça do seu jeito.
- Lorrayna...- sussurrava baixinho agora. Chegava quase aos 4 minutos. -...eu te amava tanto...não poderia lhe falar...mas eu a amava...desculpe...
E com uma expressão de culpa e devaneio, Izáias caiu, cadavérico, no chão. Um silêncio tomou conta do ar. O Sol saia tristonho. Iluminando fracamente os terrenos da Ufes. Flora, Perov, Bernard e Amanda carregaram o corpo de Izáias até o Cemuni V.
Um besouro verde-limão com luminescências alaranjadas voou melancolicamente em frente ao Cemuni V.
*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é mera coincidência.
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