Declives e Arranjos - "Capítulo 10 – O Último Suspiro de Luiza”

on Monday, July 14, 2008
A desesperada fuga do IC III não havia deixado nenhuma pista. Nenhuma pista de onde quer que estivesse Lorrayna, Vanessa, Victor e Perov. Nem mesmo para Luiza, Rafael, Flora, Izáias e Rubiana, que acabavam de chegar ao prédio, sólido aparentemente. Flora olhou em seu rolex, eram dez horas e quarenta e seis minutos da noite. Agora eles imaginavam ‘onde estariam os outros’. Era uma dúvida que eles deveriam descobrir ali, sós e com mão atadas. Rafael então disse:

- Lorrayna me disse que estava dentro do IC III. Acho melhor entrarmos.
- Mas Hup, não vá dar uma de biba louca e entrar ai dentro dando pití. – dispôs Flora.
- Claro que não. Vamos entrar sorrateiramente.
- Então vamos. Acho melhor entrarmos eu, Hup e Luiza. Izáias fica aqui fora com Rubiana, mas não podem se pegar enquanto estamos ausentes.
- Está bem Flora. Mesmo porque eu estava querendo pegar outra pessoa...- falou Izáias.
- Certo então. Vamos encontrar uma entrada. – Flora
- Não será preciso. Há uma janela aberta perto da entrada. – disse Luiza.
- Luh você é um gênio. Sempre encontrando janelas abertas. – Rafael falou com entusiasmo.

Flora passou com os outros, o restante do plano durante alguns minutos. E se prepararam para entrar. Luiza passou primeiro. Depois Rafael. E logo atrás Flora:

- E não se esqueçam! Se não voltarmos em 10 minutos chamem a polícia.
- OK! Flora. O faremos. – Disse Izáias.

Flora achou que estava muito mais escuro do que o imaginado. Pois as vidraças deixariam passar luz da lua para dentro do prédio, mas isso não estava acontecendo com muita freqüência e era realmente estranho. Andando pelos corredores do IC III, Flora notou que Luiza estava estranha, meio amedrontada, meio desnorteada, só não sabia por que. Rafael também estava mais histérico que nunca. Achou-os meio estranhos para aquela situação. Em pensar que no inicio do dia era ela, Flora, que estava nesta situação de estranheza. Ou será que ela ainda estava estranha e os outros estavam normais? Não saberia responder. Não havia ninguém que saberia. “Talvez Perov, o psicopatããã”, pensou ela e riu, Perov realmente aparentava ser um psicopata que estava por trás de toda aquela confusão, mas sabia ela, ele jamais mataria alguém por matar a toa. E no momento do incidente, que moveu barreiras estudantis, Perov foi quem ajudou os outros a fugir daquele show de horrores. Não. Não seria Perov o autor daquilo. Quem sabe Victor. Ele jamais ousava se aprofundar no assunto. Ou então Lorrayna, que estava muito desnorteada desde o ocorrido. Quem sabe Rubiana? Com aquela sua maneira frágil de se portar. Ou seria Likan, que estava totalmente louco no dia. Mas Likan queria algo inovador, algo de bom para todos no conselho universitário. Será que ele mataria por poder? Será que ele realmente fez aquilo e ela, Flora, estava sendo ingênua? Não saberia agora, pelo jeito havia muita areia para rolar.
Eles subiram as escadas que davam pro segundo andar, e seguiram em direção ao banheiro feminino, o breu tomou conta de todo o espaço. Rafael e Flora pensaram ter ouvido algo cair rolando a escada. E ouviram. Luiza caía pela escada como jamais havia sonhado, rolou, rolou, até o fim da escada, uns 30 lances de escada. Flora e Rafael correram até ela. Estava meio desacordada e susurrou fracamente:

- Alguém... me empurr..rou. Acho que não vou conseguir...acho que estou mor..rendo...não poderei suportar...me levem para fora...preciso...preciso dizer algo à todos...

Rafael levou Luiza em seus braços e o calor do corpo de Luiza mostrava que ainda tinha vida. Que ela ainda tinha uma chance. Mas será que havia tempo?
Rafael passou com Luiza pela janela, logo atrás veio Flora. Luiza pediu para que a colocasse no chão. Rafael o fez. Então ela tirou algo do bolso. Um lenço enrolado. E entregou à Izáias.

- O que é isso? – questionou Izáias com uma expressão temerosa
- Abra. Tem algo muito importante aí. Antes que eu morra, você tem que ver isto.
- Você não morrerá Luh. Espere.

Izáias abriu o lenço, dentro dele havia algo arredondado que ele não percebeu o que era na hora:

- O que é isto? Não consigo ver o que é direito.
- Este é meu último suspiro. Aquele doce. Quando a gente comeu naquela padaria no dia do incidente. Eu, você, Lorrayna e Victor. Tem algo aí dentro que quero que você veja.

Izáias quebrou o biscoito e viu algo brilhando, acendeu seu celular próximo ao doce esmigalhado e viu, uma chave com um entalhe bósnio. Não acreditava no que estava vendo.
Luiza desmaiou. Um gato preto passou por eles, na grama úmida de sereno, e miou.

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