Declives e Arranjos - "Capítulo 8 – Uma Pista Chamada Chucupril”

on Saturday, July 12, 2008
Lorrayna acordou num chão muito frio. Sentiu no ar um cheiro éter. Não viu nem Victor ou Vanessa. Ela não sabia onde estava. Só sabia que deveria encontrar os outros imediatamente. Levantou-se meio nauseada, reparou que estava no meio de um corredor escuro e lentamente reconheceu aquele local. Era o segundo andar do IC 3, o prédio onde ela e seus colegas assistiram há alguns anos aulas de Língua Portuguesa, Estruturas Sócias, Redação, entre outras. Sabia que só haviam duas saídas. Desceu a escada apoiando-se no corrimão, e no fim da escada ela notou que havia algo, com uma nesga de luz lunar ela pôde perceber que era Vanessa, que ainda estava inconsciente, e foi até ela:
- Vanessa! Vanessa! Acorde!
- Mas hãm?! O que está acontecendo? – disse Vanessa sonolenta.
- Temos que encontrar o Victor e sair daqui.
- Está bem. Ai minha cabeça! – sentiu uma pontada de dor latejante
- Cuidado. Devem ter se passado umas duas horas desde que fomos pegas.
- Não mesmo. Já são dez horas.
- Como?
- É sim. Olhe aquele relógio. – apontou para a parede onde havia um relógio antigo
- Oh! Temos que sair o mais rápido daqui. Vamos procurar o Victor.
- Vamos então. Deixe-me levantar

Vanessa levantou-se e começou a caminhar depressa com Lorrayna até a porta norte. Estava trancada. Foram então até a porta sul. Também estava trancada. O desespero começou a tomar conta delas. Lorrayna sabia que quanto mais ficavam ali, mais perigo estavam correndo. De repente viu algo no fim do corredor. Ficou com medo. Mas e se fosse Victor precisando de ajuda? Só saberia se fosse até lá.
- Vanessa, vamos até o fim do corredor.
- Onde?
- No fim do corredor. Perto do banheiro masculino.
- Vamos uai. Mas vamos depressa. Temos que ter cautela.
- Vamos.
Caminharam apressadamente até o local destino. Não viram nada. Um gato negro passou por elas miando. O medo de Lorrayna não lhe deixou achá-lo ‘bonitinho’ ou ‘fofinho’. Olhou atentamente para o banheiro e tinha que entrar e acabar de uma vez por todas com isso. Foi. Vanessa assustou-se com esta atitude. E observou-a. Lorrayna entrou no banheiro muito escuro. Chamou por Victor e nada. Instantes depois foi surpreendida por Victor que a calava e lhe acalmava.

- Calma Lorrayna sou eu.
- Victor! Oh! Vamos sair daqui! Vanessa nos espera lá fora
- Vamos.

Estavam os três agora procurando alguma saída. Sem sucesso entraram na sala 15, no segundo andar, pois algo em cima da mesa lhes chamou a atenção. O celular de Lorrayna estava tocando. Entraram sem notar que no fundo da sala, os observando, estava uma pessoa muito suspeita. A escuridão os atrapalhava. Lorrayna pegou seu celular e atendeu. Era Rafael.

- Hup?!
- Sou eu. Onde vocês estão?
- Estamos no IC 3. Alguém nos raptou.
- Está bem. Nós estamos indo pra aí.

Os três, Lorrayna, Vanessa e Victor saíram da sala e correram para a entrada, até que ouviram alguns passos atrás deles que também eram apressados. Lorrayna os puxou para dentro da sala 12. Escondendo-os atrás da porta. O sujeito passou, quando estavam chegando na porta Lorrayna pisou em algo de vidro. Abaixou e com a iluminação do celular notou que havia pisado em ampolas de algum remédio, seringas e um cano, que provavelmente foram utilizados para os levar até aquela situação. Dentro de uma sacola estavam alguns papéis que ela leu e disse em voz baixa:

- Chucupril...
- O que você disse? – Perguntou Vanessa
- Chucupril. Nosso trabalho de língua portuguesa. Lembram-se?
- Lembro sim. – disse Victor e Vanessa
- Então. Estes papéis são os nossos roteiros da rádio 1. Acho que estou começando a entender algo.
- O que? – Vanessa perguntou
- Shhhh! Ele está vindo. Escondam-se.

O delituoso passou por eles apressado e visivelmente nervoso. Lorrayna lembrou-se da sala perto da porta norte. Que tinham extensas janelas. Foram silenciosamente até a sala. Estava aberta. Entraram. A escuridão ainda era presente, a não ser por uns finos raios lunares que transitavam pelos vitrais. Lorrayna facilmente abriu a janela. Ambos saíram cautelosamente. Encontraram Perov que vinha correndo.

- Perov? – perguntou Vanessa
- Vamos corram. Ele está vindo.
- Mas como? Ele está aí dentro do IC. – disse Lorrayna
- Esta é a questão. A Flora estava certa. São mais de um os criminosos.
- Vamos correr então. Mas para onde? – Lorrayna novamente
- Pro Cemuni. Acho que estaremos a salvo.
- Mas e os outros. Flora, Hup e Luiza.
- Estão com Izáias lá nos esperando.
- Então vamos dar a volta por aqui. – e Lorrayna dirigiu-se pela lateral esquerda em direção ao Cemuni. Os outros a seguiram.

Um dos sujeitos chegou ao IC e notou a janela aberta. Resolveu esperar pelo companheiro.



*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é mera coincidência.

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