DECLIVES E ARRANJOS 2 - "Capítulo 3 – Soy loco por ti América!"

on Sunday, September 21, 2008
- Está bem. Mas espero que não seja uma de suas loucuras.
- Não mesmo. Eu só não vou mesmo porque vou pra Cuba conhecer o Fidel.

Flora lembrou-se da conversa a respeito do emprego em Noche Rio com Perov. Sabia que ele aceitaria. Perov adoraria trabalhar fora do país assim como ela, Flora, e para ele seria muito bom porque ele precisava esquecer dos problemas que o atormentavam.
Finalmente iria para Cuba. O convite que recebeu da agência pela qual desfilava há algum tempo, a Fiat Models, abriu seus olhos para as novas oportunidades e não poderia perdê-las de qualquer maneira. Tinha que arriscar. Tinha que crescer. E o fez.
Faltavam alguns 16 minutos para a aterrissagem do seu vôo em Havana.
Sua chegada foi normal e sossegada. Foi recebida por Cristina López, o contato da agência Fiat Models em Cuba.

- Buenas tardes señora Flôra. Siga-me. Levarei a senhora até a limusine que a conduzirá ao encontro do nosso cliente.
- OK. Mas eu preciso tomar Cokitas antes de ir até o chofer.
- Tomar o quê?
- Cokitas. Não conhece? Fale a verdade. Cokitas é o que há...vejo que a senhora não entendeu. Está bem. Cokitas é Coca Cola.
- Ah sim. Essas gírias dos jovens...vamos até a lanchonete logo ali.

Após o término da Cokitas, Flora dirigiu-se com Cristina López até a limusine branca em frente ao aeroporto.
Entrou na Limusine com consciência pesada ao lembrar-se de como era a situação naquele país. E como em 5 anos muita coisa mudara, desde a renúncia de Fidel. O salário mínio era de 1000 dólares. As maiores agências de publicidade e do mundo da moda se instalaram em Cuba. A importação de tecnologias se tornou tão comum quanto a distribuição de camisinhas da UNE.
Ao chegar ao hotel, Flora pensou que estivesse em Saint-German. Hotel Las Vendettas. O prédio era fantástico, muito luxuoso e amplo. Agora sabia. Seria uma celebridade, independente dos problemas que a afligia.
Chegou exausta em seu quarto 1408. O quarto só confirmava o quão suntuoso era aquela esplêndida estrutura. Teria que fazer algumas ligações antes de repousar. Foi até a escrivaninha, sentou-se, tirou o telefone do gancho e pôs-se a discar alguns números:

- Alô? Perov. Só to ligando pra falar que cheguei com vida. Hahaha!
- Eu não pensaria o contrário conhecendo você do jeito que conheço.
- Pois é. O Montecito não te contatou ainda né?!
- Ainda não. Mas estou aguardando.
- Aguarde mesmo porque é muito importante essa oportunidade.
- Vou sim. Mas deixa eu te falar. Adivinha quem me ligou hoje pela manhã e voltará para o país?
- Não sei. Quem?
- Silvia. Ela disse que as coisas não estão muito boas na Itália. Que ela voltará para cá o mais rápido possível.
- Cara. Silvete. Ela foi embora logo depois do holocausto no Cemuni V. Incrível. E o Get? Ele conseguiu falar com você? Quando conversei com ele sobre o que aconteceu conosco há dois anos atrás ele tinha uma coisa importante para nos contar. Mas queria manter em segredo.
- Sério? Getúlio? Como assim? Ele não foi trabalhar com um tio em Serra Leoa?
- Não Perov. Ele e a Rafaela trancaram o curso e foram para a Bahia abrir um negócio juntos. Parece que não deu certo e eles foram passar um tempo em Valadares. A Rafa voltou para Vitória e é sócia da agência Fire. Getúlio ainda está em Valadares trabalhando na empresa dos pais, mas quer voltar para Vitória. Por isso ele me ligou. Mas de onde você tirou que ele foi pra Serra Leoa?
- Pelo que me lembro o Damn comentou isso comigo antes dos acontecimentos de dois anos atrás.
- Piraram na bostita. Só se foi. Mas Perov vou desligar. Preciso dormir um pouco antes de conhecer minha parte favorita da América Latina. Beijitos.
- Até mais então Flora.

Desligou. Flora discou outro número. Tocou por aproximadamente cinco vezes. Uma voz rouca atendeu do outro lado da linha:

- Alô?!
- Alô. Senhor Montecito? Será que eu poderia conversar com o senhor agora?

Vespas inocentes sobrevoavam no lado de fora do quarto1408.



*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é 'mara' coincidência.

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