DECLIVES E ARRANJOS 2 - Capítulo 1 – Um Lugar Chamado Noche Río"

on Sunday, September 21, 2008
Se soubesse há dois meses que iria para um local tão longe de Vitória, Perov nunca teria aceitado a proposta de trabalho em Noche Río, no Chile. E lembrou-se do diálogo principal de todo este acontecimento:

- Mas Flora, como assim você está oferecendo uma proposta de emprego sua para mim?
- É Perov. Eu iria para esse emprego, que é uma oportunidade de ouro, mas preciso ir para Cuba desfilar no final do mês.
- Hum...Entendo. Mas e como é que vou saber prosseguir com isso?
- Você receberá um telefonema do dono da agência, Carlo Montecito. Ele lhe passará as instruções. E Perov a passagem, estadia e transporte no geral é tudo pago pela empresa. Você vai dar mole se não aceitar.
- Está bem. Mas espero que não seja uma de suas loucuras.
- Não mesmo. Eu só não vou mesmo porque vou pra Cuba conhecer o Fidel.

Perov havia recebido o tal telefonema, além de ter marcado dia e hora. Agora, tardezinha de sábado, estava com as coisas quase prontas para dar início a sua nova jornada. Andava impaciente de um lado para outro em seu quarto esperando a hora de ir para o Aeroporto. Um carro parou em frente a sua casa e buzinou. Ele olhou pela janela, um C4 Pallas preto lhe aguardava com os faróis semi-acesos. Achou muito impressionante, o dono da agência realmente estava o levando a sério.Seria pela Flora? Enfim, preferiu não pensar muito naquilo. Apanhou as malas e dirigiu-se para a porta. Destrancou-a. Ao fazer isso, o telefone em cima da escrivaninha tocou por duas vezes. Ele deixou as malas em frente à porta ainda fechada e se dirigiu até o telefone:

- Pronto.
- Perov. Sou eu, Bernard. Preciso falar com você urgente.
- Opa! Pode falar. Mas fale rápido, pois estou indo viajar pra Noche Rio.
- É justamente sobre isso que eu queria falar. Não existe emprego algum. A Flora foi enganada, agora ela está correndo perigo em Cuba e não consigo contatá-la.
- Mas sobre o que você está falando Bernard? Um pessoal já está neste exacto momento me esperando em um carro preto em frente a minha casa.
- Então me parece que eles foram até você...Escute-me com atenção Perov. Esse mesmo pessoal seguiu-me há algumas semanas pela Rua da Lama, quando percebi corri e consegui fugir. Você tem que sair daí sorrateiramente. Vá até o Sinucar. E lá te encontro para tentarmos ver o que está acontecendo.
- Está bem. O problema será sair daqui. Mas darei um jeito.

Perov desligou o telefone, estranhou o telefonema repentino de Bernard bem na hora da viagem, e viu que dois sujeitos saíram do carro e tinha certeza que já os tinha visto antes, mas a baixa claridade não lhe permitia ver mais do que meros semblantes negros.
Trancou novamente a porta e foi em direção a saída dos fundos. Antes de abri-la ouviu a campainha tocar e apressou-se. Abriu a porta e deu a volta em sua casa. Escondeu-se atrás do carro que lhe aguardava e viu que os sujeitos socavam a porta, até que a derrubaram. Entraram sem mais nem menos e Perov teve certeza que as palavras de Bernard eram verdadeiras. Agora não teria muito tempo. Teria que correr dali, mas a rua estava deserta e seria bastante arriscado correr pela rua naquele momento. Teve uma idéia. Entrou no carro e viu que as chaves estavam dentro. Entrou no carro. Ligou-o. Manobrou e começou a dirigir. Notou que os tais sujeitos saíram correndo, desesperados, de sua casa.
Agora Perov estava mais aliviado, tinha um rumo. Sinucar.
Olhou através do retrovisor e um frio lhe congelou a espinha. Viu Lorrayna, adormecida, no banco de trás. Perov sabia que a história que tanto lhe atormentou no verão retrasado estava apenas recomeçando.
Um papagaio verde com fulguras alaranjadas passou batido por eles, enquanto Perov procurava um local seguro para estacionar.


*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é 'mara' coincidência.

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