- Está bem. Mas espero que não seja uma de suas loucuras.
- Não mesmo. Eu só não vou mesmo porque vou pra Cuba conhecer o Fidel.
Flora lembrou-se da conversa a respeito do emprego em Noche Rio com Perov. Sabia que ele aceitaria. Perov adoraria trabalhar fora do país assim como ela, Flora, e para ele seria muito bom porque ele precisava esquecer dos problemas que o atormentavam.
Finalmente iria para Cuba. O convite que recebeu da agência pela qual desfilava há algum tempo, a Fiat Models, abriu seus olhos para as novas oportunidades e não poderia perdê-las de qualquer maneira. Tinha que arriscar. Tinha que crescer. E o fez.
Faltavam alguns 16 minutos para a aterrissagem do seu vôo em Havana.
Sua chegada foi normal e sossegada. Foi recebida por Cristina López, o contato da agência Fiat Models em Cuba.
- Buenas tardes señora Flôra. Siga-me. Levarei a senhora até a limusine que a conduzirá ao encontro do nosso cliente.
- OK. Mas eu preciso tomar Cokitas antes de ir até o chofer.
- Tomar o quê?
- Cokitas. Não conhece? Fale a verdade. Cokitas é o que há...vejo que a senhora não entendeu. Está bem. Cokitas é Coca Cola.
- Ah sim. Essas gírias dos jovens...vamos até a lanchonete logo ali.
Após o término da Cokitas, Flora dirigiu-se com Cristina López até a limusine branca em frente ao aeroporto.
Entrou na Limusine com consciência pesada ao lembrar-se de como era a situação naquele país. E como em 5 anos muita coisa mudara, desde a renúncia de Fidel. O salário mínio era de 1000 dólares. As maiores agências de publicidade e do mundo da moda se instalaram em Cuba. A importação de tecnologias se tornou tão comum quanto a distribuição de camisinhas da UNE.
Ao chegar ao hotel, Flora pensou que estivesse em Saint-German. Hotel Las Vendettas. O prédio era fantástico, muito luxuoso e amplo. Agora sabia. Seria uma celebridade, independente dos problemas que a afligia.
Chegou exausta em seu quarto 1408. O quarto só confirmava o quão suntuoso era aquela esplêndida estrutura. Teria que fazer algumas ligações antes de repousar. Foi até a escrivaninha, sentou-se, tirou o telefone do gancho e pôs-se a discar alguns números:
- Alô? Perov. Só to ligando pra falar que cheguei com vida. Hahaha!
- Eu não pensaria o contrário conhecendo você do jeito que conheço.
- Pois é. O Montecito não te contatou ainda né?!
- Ainda não. Mas estou aguardando.
- Aguarde mesmo porque é muito importante essa oportunidade.
- Vou sim. Mas deixa eu te falar. Adivinha quem me ligou hoje pela manhã e voltará para o país?
- Não sei. Quem?
- Silvia. Ela disse que as coisas não estão muito boas na Itália. Que ela voltará para cá o mais rápido possível.
- Cara. Silvete. Ela foi embora logo depois do holocausto no Cemuni V. Incrível. E o Get? Ele conseguiu falar com você? Quando conversei com ele sobre o que aconteceu conosco há dois anos atrás ele tinha uma coisa importante para nos contar. Mas queria manter em segredo.
- Sério? Getúlio? Como assim? Ele não foi trabalhar com um tio em Serra Leoa?
- Não Perov. Ele e a Rafaela trancaram o curso e foram para a Bahia abrir um negócio juntos. Parece que não deu certo e eles foram passar um tempo em Valadares. A Rafa voltou para Vitória e é sócia da agência Fire. Getúlio ainda está em Valadares trabalhando na empresa dos pais, mas quer voltar para Vitória. Por isso ele me ligou. Mas de onde você tirou que ele foi pra Serra Leoa?
- Pelo que me lembro o Damn comentou isso comigo antes dos acontecimentos de dois anos atrás.
- Piraram na bostita. Só se foi. Mas Perov vou desligar. Preciso dormir um pouco antes de conhecer minha parte favorita da América Latina. Beijitos.
- Até mais então Flora.
Desligou. Flora discou outro número. Tocou por aproximadamente cinco vezes. Uma voz rouca atendeu do outro lado da linha:
- Alô?!
- Alô. Senhor Montecito? Será que eu poderia conversar com o senhor agora?
Vespas inocentes sobrevoavam no lado de fora do quarto1408.
*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é 'mara' coincidência.
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11:24 AM
Bernard esperava ansiosamente a chegada de Perov. Chegou ao Sinucar há cerca de vinte minutos completos. E a demora de Perov só significava que ele não conseguira fugir. Mas não bastava apenas a ele, Bernard, sair dali sem dar satisfação a Perov, precisava ligar para ele. Mas como? Estava sem celular e não possuía sequer um cartão telefônico. Foi até o orelhão para ligar a cobrar para Perov. Chamou cerca de oito vezes até cair na caixa postal. Sua apreensão aumentou. ‘Perov havia abnegado a vida’, pensou ele. Sua desanimação aumentou quando lembrou de Vanessa e sua cruel morte há pouco mais de dois anos atrás. Tão triste. Tão marcante.
Entrou no Sinucar com um leve choro no olhar. Queria que aquilo tudo nunca tivesse começado. Se ele tivesse faltado àquela aula...Mas não poderia. Era prova final da disciplina de Fotografia. Cruel e infelizmente acabou envolvendo-se naquilo e tudo estava perdido. Sentou-se próximo a uma mesa de bilhar enegrecida pela sujeira que acumulava ali desde os primórdios de pouco menos de cinco anos. Esperou...esperou...esperou...cansou...cochilou...Foi despertado por um barulho logo atrás de sua cabeça. Não houve tempo para olhar. Algo perfurou sua nuca. A dor foi curta.
Quando caiu de lado em direção ao chão, com um taco de sinuca em sua mente, o corpo de Bernard vislumbrou por alguns instantes a imagem grotesca do assassino que todos pensavam estar morto.
Baratas mutantes com pernas aladas passaram através do portão do Sinucar.
*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é 'mara' coincidência.
Entrou no Sinucar com um leve choro no olhar. Queria que aquilo tudo nunca tivesse começado. Se ele tivesse faltado àquela aula...Mas não poderia. Era prova final da disciplina de Fotografia. Cruel e infelizmente acabou envolvendo-se naquilo e tudo estava perdido. Sentou-se próximo a uma mesa de bilhar enegrecida pela sujeira que acumulava ali desde os primórdios de pouco menos de cinco anos. Esperou...esperou...esperou...cansou...cochilou...Foi despertado por um barulho logo atrás de sua cabeça. Não houve tempo para olhar. Algo perfurou sua nuca. A dor foi curta.
Quando caiu de lado em direção ao chão, com um taco de sinuca em sua mente, o corpo de Bernard vislumbrou por alguns instantes a imagem grotesca do assassino que todos pensavam estar morto.
Baratas mutantes com pernas aladas passaram através do portão do Sinucar.
*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é 'mara' coincidência.
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11:22 AM
Se soubesse há dois meses que iria para um local tão longe de Vitória, Perov nunca teria aceitado a proposta de trabalho em Noche Río, no Chile. E lembrou-se do diálogo principal de todo este acontecimento:
- Mas Flora, como assim você está oferecendo uma proposta de emprego sua para mim?
- É Perov. Eu iria para esse emprego, que é uma oportunidade de ouro, mas preciso ir para Cuba desfilar no final do mês.
- Hum...Entendo. Mas e como é que vou saber prosseguir com isso?
- Você receberá um telefonema do dono da agência, Carlo Montecito. Ele lhe passará as instruções. E Perov a passagem, estadia e transporte no geral é tudo pago pela empresa. Você vai dar mole se não aceitar.
- Está bem. Mas espero que não seja uma de suas loucuras.
- Não mesmo. Eu só não vou mesmo porque vou pra Cuba conhecer o Fidel.
Perov havia recebido o tal telefonema, além de ter marcado dia e hora. Agora, tardezinha de sábado, estava com as coisas quase prontas para dar início a sua nova jornada. Andava impaciente de um lado para outro em seu quarto esperando a hora de ir para o Aeroporto. Um carro parou em frente a sua casa e buzinou. Ele olhou pela janela, um C4 Pallas preto lhe aguardava com os faróis semi-acesos. Achou muito impressionante, o dono da agência realmente estava o levando a sério.Seria pela Flora? Enfim, preferiu não pensar muito naquilo. Apanhou as malas e dirigiu-se para a porta. Destrancou-a. Ao fazer isso, o telefone em cima da escrivaninha tocou por duas vezes. Ele deixou as malas em frente à porta ainda fechada e se dirigiu até o telefone:
- Pronto.
- Perov. Sou eu, Bernard. Preciso falar com você urgente.
- Opa! Pode falar. Mas fale rápido, pois estou indo viajar pra Noche Rio.
- É justamente sobre isso que eu queria falar. Não existe emprego algum. A Flora foi enganada, agora ela está correndo perigo em Cuba e não consigo contatá-la.
- Mas sobre o que você está falando Bernard? Um pessoal já está neste exacto momento me esperando em um carro preto em frente a minha casa.
- Então me parece que eles foram até você...Escute-me com atenção Perov. Esse mesmo pessoal seguiu-me há algumas semanas pela Rua da Lama, quando percebi corri e consegui fugir. Você tem que sair daí sorrateiramente. Vá até o Sinucar. E lá te encontro para tentarmos ver o que está acontecendo.
- Está bem. O problema será sair daqui. Mas darei um jeito.
Perov desligou o telefone, estranhou o telefonema repentino de Bernard bem na hora da viagem, e viu que dois sujeitos saíram do carro e tinha certeza que já os tinha visto antes, mas a baixa claridade não lhe permitia ver mais do que meros semblantes negros.
Trancou novamente a porta e foi em direção a saída dos fundos. Antes de abri-la ouviu a campainha tocar e apressou-se. Abriu a porta e deu a volta em sua casa. Escondeu-se atrás do carro que lhe aguardava e viu que os sujeitos socavam a porta, até que a derrubaram. Entraram sem mais nem menos e Perov teve certeza que as palavras de Bernard eram verdadeiras. Agora não teria muito tempo. Teria que correr dali, mas a rua estava deserta e seria bastante arriscado correr pela rua naquele momento. Teve uma idéia. Entrou no carro e viu que as chaves estavam dentro. Entrou no carro. Ligou-o. Manobrou e começou a dirigir. Notou que os tais sujeitos saíram correndo, desesperados, de sua casa.
Agora Perov estava mais aliviado, tinha um rumo. Sinucar.
Olhou através do retrovisor e um frio lhe congelou a espinha. Viu Lorrayna, adormecida, no banco de trás. Perov sabia que a história que tanto lhe atormentou no verão retrasado estava apenas recomeçando.
Um papagaio verde com fulguras alaranjadas passou batido por eles, enquanto Perov procurava um local seguro para estacionar.
*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é 'mara' coincidência.
- Mas Flora, como assim você está oferecendo uma proposta de emprego sua para mim?
- É Perov. Eu iria para esse emprego, que é uma oportunidade de ouro, mas preciso ir para Cuba desfilar no final do mês.
- Hum...Entendo. Mas e como é que vou saber prosseguir com isso?
- Você receberá um telefonema do dono da agência, Carlo Montecito. Ele lhe passará as instruções. E Perov a passagem, estadia e transporte no geral é tudo pago pela empresa. Você vai dar mole se não aceitar.
- Está bem. Mas espero que não seja uma de suas loucuras.
- Não mesmo. Eu só não vou mesmo porque vou pra Cuba conhecer o Fidel.
Perov havia recebido o tal telefonema, além de ter marcado dia e hora. Agora, tardezinha de sábado, estava com as coisas quase prontas para dar início a sua nova jornada. Andava impaciente de um lado para outro em seu quarto esperando a hora de ir para o Aeroporto. Um carro parou em frente a sua casa e buzinou. Ele olhou pela janela, um C4 Pallas preto lhe aguardava com os faróis semi-acesos. Achou muito impressionante, o dono da agência realmente estava o levando a sério.Seria pela Flora? Enfim, preferiu não pensar muito naquilo. Apanhou as malas e dirigiu-se para a porta. Destrancou-a. Ao fazer isso, o telefone em cima da escrivaninha tocou por duas vezes. Ele deixou as malas em frente à porta ainda fechada e se dirigiu até o telefone:
- Pronto.
- Perov. Sou eu, Bernard. Preciso falar com você urgente.
- Opa! Pode falar. Mas fale rápido, pois estou indo viajar pra Noche Rio.
- É justamente sobre isso que eu queria falar. Não existe emprego algum. A Flora foi enganada, agora ela está correndo perigo em Cuba e não consigo contatá-la.
- Mas sobre o que você está falando Bernard? Um pessoal já está neste exacto momento me esperando em um carro preto em frente a minha casa.
- Então me parece que eles foram até você...Escute-me com atenção Perov. Esse mesmo pessoal seguiu-me há algumas semanas pela Rua da Lama, quando percebi corri e consegui fugir. Você tem que sair daí sorrateiramente. Vá até o Sinucar. E lá te encontro para tentarmos ver o que está acontecendo.
- Está bem. O problema será sair daqui. Mas darei um jeito.
Perov desligou o telefone, estranhou o telefonema repentino de Bernard bem na hora da viagem, e viu que dois sujeitos saíram do carro e tinha certeza que já os tinha visto antes, mas a baixa claridade não lhe permitia ver mais do que meros semblantes negros.
Trancou novamente a porta e foi em direção a saída dos fundos. Antes de abri-la ouviu a campainha tocar e apressou-se. Abriu a porta e deu a volta em sua casa. Escondeu-se atrás do carro que lhe aguardava e viu que os sujeitos socavam a porta, até que a derrubaram. Entraram sem mais nem menos e Perov teve certeza que as palavras de Bernard eram verdadeiras. Agora não teria muito tempo. Teria que correr dali, mas a rua estava deserta e seria bastante arriscado correr pela rua naquele momento. Teve uma idéia. Entrou no carro e viu que as chaves estavam dentro. Entrou no carro. Ligou-o. Manobrou e começou a dirigir. Notou que os tais sujeitos saíram correndo, desesperados, de sua casa.
Agora Perov estava mais aliviado, tinha um rumo. Sinucar.
Olhou através do retrovisor e um frio lhe congelou a espinha. Viu Lorrayna, adormecida, no banco de trás. Perov sabia que a história que tanto lhe atormentou no verão retrasado estava apenas recomeçando.
Um papagaio verde com fulguras alaranjadas passou batido por eles, enquanto Perov procurava um local seguro para estacionar.
*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é 'mara' coincidência.
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11:20 AM
Era a noite de domingo mais feliz que Flora já tinha visto. Estava segura por um longo tempo. Mas não sabia o quanto.
Ela adormeceu lembrando-se dos acontecimentos que ocorrera há pouco mais de dois anos. Sonhava delicadamente em sua Queen-size. Madrugada adentra, as janelas expeliam uma fraca luz vinda das ruas de trás, onde ficavam os garotos populares daquela região. Havia mudado de casa, mas as características de seu antigo quarto eram quase as mesmas, tudo muito organizado e calmo, mas a noite tornava-se muito sombrio. Se estivesse acordada, notaria o sujeito que abria silenciosamente as janelas ao lado de sua cama. O ranger da janela, fraco e surdo, não conseguiu despertá-la. O sujeito caminhou para a outra extremidade do quarto e tinha certeza do que deveria ser feito. Apontou a atiradeira de flechas envenenadas para o busto de Flora, baixou os olhos e atirou.
Tudo ficou escuro...
*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é 'mara' coincidência.
Ela adormeceu lembrando-se dos acontecimentos que ocorrera há pouco mais de dois anos. Sonhava delicadamente em sua Queen-size. Madrugada adentra, as janelas expeliam uma fraca luz vinda das ruas de trás, onde ficavam os garotos populares daquela região. Havia mudado de casa, mas as características de seu antigo quarto eram quase as mesmas, tudo muito organizado e calmo, mas a noite tornava-se muito sombrio. Se estivesse acordada, notaria o sujeito que abria silenciosamente as janelas ao lado de sua cama. O ranger da janela, fraco e surdo, não conseguiu despertá-la. O sujeito caminhou para a outra extremidade do quarto e tinha certeza do que deveria ser feito. Apontou a atiradeira de flechas envenenadas para o busto de Flora, baixou os olhos e atirou.
Tudo ficou escuro...
*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é 'mara' coincidência.
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