- Então isso que você está me dizendo é verdade? Você não estava envolvida? – questionou Perov, indignado, à Lorrayna.
- É sim Perov. Eu amava o Izáias, e ele pensava que eu era seu bode expiatório, mas não. Eu não me rebaixaria a tanto.
- Mas por que você aceitou fazer parte disso tudo? Você quase morreu. E aliás, como você conseguiu se safar dessa?
- Eu não sei o que deu em mim. Eu estava muito confusa na época e aquilo vinha me machucando demais. Eu tinha que fazer aquilo pelo izáias. Eu achava que ele mudaria. Mas não. Eu quase morri por causa dele, e acho que ele nem ao menos se importou com isto. Estupid boy! Quando Amanda me trancou na geladeira do CA eu sabia o que aconteceria ao Cemuni, então lancei o meu corpo para frente e para trás, para frente e para trás, até que a finada geladeira caiu e quebrou, então me levantei e saí de fininho, em tempo de ver o Hup ser arremessado e quebrar o pescoço e demais ossos na pilastra por causa do impacto da explosão das bombas. Mas a Racquel só foi arremessada, ela ainda estava viva quando saí do Cemuni. Viu-me saindo e ficou furiosa.
- Então ela pode não estar morta?
- Pelo visto sim. Talvez a queda do Cemuni a tenha matado. Talvez não.
- Ela matou um garoto na estação ferroviária a golpes de facão, que inicialmente foi confundido com Getúlio. Aliás ela poderia matá-lo, Getúlio sabia sobre o caso, mas não, ela queria poupá-lo por algum motivo e terei que descobrir qual.
- Como você sabe que Getúlio sabia sobre a Racquel?
- Ele ligou para Flora um dia antes do ocorrido na estação. Flora pediu que ele viesse para a UFES o mais rápido possível. E ele o fez. Mas nunca chegou a vir até a UFES. Aconteceu aquilo na estação, e nós achávamos que ele havia morrido. Mas então, no final do ano passado a Flora me revelou que não. E há 2 meses atrás ele, Getúlio, e a Rafaela me ligaram para contar das novidades.
- Que complexo isso!
- Pois é minha cara. Estamos sem a faca ou o queijo nas mãos.
- Verdade. Mas que tal irmos até o Sinucar, lá pelo menos, encontraremos o queijo que aguardamos. Ou a faca.
- Pode ser que sim. É bom revê-la, e desculpe qualquer coisa.
- Quê isso! É bom ter ver novamente Perov. Agora vamos!
- Tudo bem.
E se foram. Perov agora dirigia em direção ao Sinucar para encontrar Bernard. Lorrayna estava ansiosa. Mal sabiam eles que o destinatário não estava mais entre eles.
Cigarras serelepes trocando de casca regozijavam com o trabalho das formigas atônitas na terra umedecida pelo sereno da tarde.
*Obs: os diálogos e situações aqui dispostos são totalmente fictícios. Qualquer semelhança é 'mara' coincidência.
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