


Dizem que em terra de cegos quem tem um olho é rei, ou caolho (vide: citações populares bizarras), porém em um longínquo território, denominado Ilha do Mel, vulgarmente conhecido como Vitórinha, quem tem um ou dois olhos é apenas mais um na noite. Nesta terra é possível determinar que os seus habitantes escutam com os olhos, vêem com a boca e degustam com os ouvidos. Vitórinha é a terra da sinestesia. Dos sentidos aleatórios. Um caleidoscópio de emoções e comoções que movem os estranhos seres que se permutam na ode capixaba.
O gato preto desmistifica os segredos mais profundos que existem nos becos e encurraladas da noite capixaba. Certa noite saiu para observar o seu amplo campo de visão, agora localizado na Rua da Lama (Mud Street, para alguns) e se deparou com uma cena inusitada. Seres trajando capas escuras e roupas negras inundavam o âmbito nas proximidades da avenida principal, escurecendo o ambiente e ignorando qualquer sinal de vida. O gato, porém, resolveu colocar suas táticas em prática e infiltrou-se entre os seres da noite. Não deu mais sinal desde então. Estava desaparecido de uma forma anormal. Que só será interligada mais adiante, com o passar dos tempos.
Ao lado dos seres negros da noite havia um bar fétido e sujo. As latrinas costumavam se localizar em seu exterior. O gato preto tinha dado, há poucos minutos, uma olhada desanimada para o local, afinal a bebida era desinteressante e as pessoas que as bebiam eram inconscientes. O jovem, de aparência atípica do verão, estava visivelmente bêbado, mais duas doses e entrava em coma alcoólico. Dito e feito. Caminhou em direção da Universidade localizada rente a avenida principal. Cruzou o portão, em direção a uma das festas psicodélicas que, por hora, ocorriam no campus. Parou diante de um imenso prédio e teve uma súbita lembrança, que foi desviada pelo cheiro de serração e perigo. Virou o restante da garrafa de vodka barata em garrafa plástica que tinha em mãos. Tudo ao seu redor girou e ele caiu na grama. Ninguém o viu até o sol nascer.
Pouco distante dali, um pub demonstrava na noite o quão salientes poderiam ser os participantes do badalado evento que ocorria nesta noite. Não era possível descrever se haviam mais pessoas do lado de fora ou dentro do pub. Mas a música poderia ser escutada num raio de pouco mais de 5 metros. Juntamente com bebidas, a pós-modernidade inundava o pacato ambiente naquela terra triangular. Em meio à multidão enlouquecida, um beijo lésbico revela a fúria de um jovem que flertava com uma das participantes da ação. Sua fúria se transforma em ataque. Dor e caos. O pub nunca mais seria o mesmo.