on Monday, September 21, 2009
Vitória, Sede do Governo, 15 de Julho - 23:27 PM

O misterioso, e então assassino, que havia encontrado Daniel na sede do governo de Vitória, estava agora na saída leste, na espreita, esperando por um minuto de distração dos guardas. Abaixado atrás da mureta que seguia até a calçada, o assassino prestava-se a enviar uma mensagem através de seu smart phone confirmando a execução dos planos desta noite. Não notou que do outro lado do palácio, atrás da fonte do sombrio jardim mal iluminado do palácio, estava uma pessoa que observava todos os seus movimentos. Levantou, aproveitando que os guardas revezavam na vigilância noturna daquela estrutura, e correu em direção às escadarias que o levariam direto para a avenida próxima a Baía de Vitória. Um carro estava a sua espera, entrou no Celta preto, que tranquilamente seguiu seu rumo.

Lá em cima, nas escadarias do palácio, a pessoa que vigiava o assassino, agora filmava toda a cena, desde a saída, até a fuga. Este seria um trunfo e tanto, para uma tomada de decisão em planos futuros. Agora precisava encontrar Daniel Ferdinand. Sua ligação há algumas horas atrás, havia despertado preocupação e curiosidade.

Uma formiga, nada atômica, retorceu loucamente ao sentir a forte pisada do guarda.
on Saturday, September 12, 2009
Vitória, Ufes, 15 de Julho - 12:45 PM

Flora Viguy havia terminado de ler Blindness, quando levantou do sofá do Centro Acadêmico. Sua maior preocupação agora era aquela pasta que havia recebido de Perov ainda pela manhã. Escondeu-a no interior do departamento de comunicação social. Mas não soube se aquele foi, de fato, um bom esconderijo. Ninguém a seguiu. Ou assim pareceu. Mas ela sabia que muitos estavam atrás daquele objeto, e o misterioso desaparecimento de Amanda Pinker mostravam o quão sério era aquela situação.
Enquanto caminhava de um lado para o outro no átrio do Cemuni V, prédio localizado no Centro de Artes da universidade, Flora teve uma idéia e resolveu contatar Perov:

- Perov, sou eu, Flora... A respeito da pasta, eu tive uma idéia e tive que fazer algumas mudanças no nosso plano. Preciso que me encontre no Mc Donalds em frente à Ufes...não, é que preciso comer primeiro, estou com fomitas...okay, te espero lá. Diga...sim...entendo...claro...

Flora conversava distraidamente com Perov, enquanto Daniel Ferdinand atravessava os corredores do Cemuni V com total tranquilidade em direção ao departamento. Daniel entrou na sala sorrateiramente. Flora finalizou a ligação, apanhou sua bolsa na sala do centro acadêmico. Saiu com alguns planos sérios e outros de entidade gastronômica.

O pé de goiaba no átrio do Cemuni V gemeu baixinho.
on Wednesday, September 9, 2009
Vitória, Sede do Governo, 15 de Julho - 19:45 PM

Os guardas já faziam a habitual ronda das 19 horas, enquanto os últimos empregados, responsáveis pela organização do palácio do governo, saíam através da entrada lateral do prédio. Uma construção magnífica datada do século XVII. A iluminação da área era impecável, deixando a vista uma decoração belíssima.
A escadaria da sede do governo do Espírito Santo costumava ser silenciosa a essa hora do dia. Daniel Ferdinand subiu as escadas com uma respiração ofegante. Na mão direita uma pasta branca. Na esquerda um telefone móvel. Em sua face corria o suor de alguém muito preocupado. Que tinha um objetivo esta noite. Algo inadiável.
Quando terminou de subir as longas escadas parou de abrupto ao notar o semblante d’um dos vigias que vinha em sua direção. Escondeu-se atrás de um dos postes de iluminação e quase foi notado, seu casaco meio índie abriu-se com o vento sul. Mas o vigia mal ouviu o barulho do vento na roupagem.
Pouco depois, quando o vigia passou despercebido, Daniel seguiu rumo à entrada leste do palácio. Ao chegar notou uma mensagem em seu celular:

“ESTOU NA SALA DE EXPOSIÇÕES DO PALÁCIO. VENHA DEPRESSA. D.”

Chegou até a porta da entrada leste e empurrou. Por sorte ainda estava aberta. Entrou e não notou movimento algum. Olhou para o salão principal fracamente iluminado por um lustre esplendoroso e saiu em busca do tradicional mapa que conduzia os visitantes no interior do palácio. Encontrou-o sem muita dificuldade. Foi seguindo com o dedo no mapa até a região onde se lia “Área E”. Ficava no 1º andar, a poucos metros de onde estava.
Após chegar a sala de exposições, Daniel viu que a pessoa que estava procurando o esperava na outra extremidade da sala e caminhou até ela.

- Desculpe a demora. Mas a Flora quase descobre o plano. – disse, exausto, Daniel.
- Não se preocupe, precisamos sair daqui o quanto antes. Trouxe o que lhe pedi?
- Claro que sim. Aqui está. Ela quase me viu saindo com isso. – Daniel entrega a pasta branca ao informante.
- Obrigado. Vamos sair daqui agora.
- Tudo bem.

Desceram a escada, por onde Daniel notou ter vindo e seguiram rumo a um local onde Daniel sabia que não era a saída.

- Aonde estamos indo?
- Esta é a sala das armaduras.
- E por que estamos aqui? Precisamos sair daqui o quanto antes.
- É...eu preciso e vou. Agora você...

Uma das réplicas de punhal foi lançada diretamente no peito ofegante de Daniel. Ele cai de costas no chão em choque. Olha para cima e vê seu informante com o objeto na mão e em seu último suspiro soube que confiar o segredo a outra pessoa antes deste encontro foi o correto.

Um besouro serelepe voava através do elmo de uma das armaduras que estava num canto mais escuro da sala das armaduras.
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